Miliciano citado por testemunha nega participação na morte de Marielle

Citado por uma testemunha do caso Marielle Franco, o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, que está preso no Rio desde outubro, divulgou carta na qual nega ter participação no crime. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (10) pelo jornal carioca "O Dia".


"Eu, Orlando Oliveira de Araújo, venho por meio desta esclarecer sobre os fatos que estão sendo veiculados na imprensa sobre o assassinato da vereadora Marielle e de seu motorista Anderson, que não tenho qualquer envolvimento nesse crime bárbaro", diz o ex-militar, que é conhecido como Orlando de Curicica.

O miliciano ainda negou ter se encontrado com o vereador Marcello Siciliano, também citado pela testemunha no depoimento aos policiais: "Informo também que nunca estive com o vereador  Siciliano em nenhuma oportunidade. Por fim, com todo respeito à vereadora Marielle, eu nunca tinha ouvido falar dela".

Orlando está preso após ser condenado por um crime nas mesmas características do ataque que matou Marielle e o motorista Anderson Pedro Gomes. Ele foi culpado de ser o mandante de uma execução realizada por três homens armados contra Wagner Raphael de Souza, presidente da escola de samba União do Parque Curicica à época.

Wagner morreu após ser perseguido por um carro dirigido pelos bandidos, que emparelharam e dispararam mais de dez vezes. A sobrinha dele, que também estava no veículo, sobreviveu e apontou Orlando como mandante do crime.

Testemunha do caso Marielle

Segundo informações obtidas pelo jornal O Globo, a testemunha, um ex-miliciano, detalhou quatro encontros entre o vereador e o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando de Curicica e preso desde outubro do ano passado (mas ainda liderando diversas favelas), que teriam começado a acontecer em junho do ano passado.

“Eu estava numa mesa, a uma distância de pouco mais de um metro dos dois. Eles estavam sentados numa mesa ao lado. O vereador falou alto: “Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando”. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: “Marielle, piranha do Freixo”. Depois, olhando para o ex-PM, disse: “Precisamos resolver isso logo”, contou a testemunha.

Ontem, Siciliano defendeu-se das acusações e disse que tinha boa relação com a vereadora: "Nunca tivemos conflito político em região alguma. Ela esteve no meu aniversário".

O caso

Marielle foi morta após participar um evento que reunia jovens negras, na Lapa, no centro do Rio, na noite de 14 de março. Ela estava com a assessora e o motorista do carro, Anderson Pedro Gomes, que também faleceu, quando o veículo foi emparelhado foi outro e alvejado por ao menos 13 tiros.

A vereadora foi atingida por quatro tiros na cabeça. Anderson, que era casado e tinha um filho pequeno, recebeu pelo menos três disparos nas costas. A assessora acabou atingida por estilhaços e não sofreu ferimentos mais graves.

A perícia apontou que todos os disparos foram efetuados por arma de calibre 9 mm e que a munição utilizada fazia parte de lotes vendidos para a Polícia Federal. Nove cápsulas foram encontradas no local.

A polícia trabalha com a suspeita de execução e acredita que o veículo foi perseguido por cerca de 4 km. As autoridades ainda apuram se um segundo carro teria participado dos assassinatos.


Marielle, de 38 anos, era uma conhecida ativista do movimento negro, defensora de minorias sociais e crítica da violência policial no Rio, além de ter sido a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016. Desde 28 de fevereiro, ela atuava como relatora de uma comissão da Câmara dos Vereadores criada para fiscalizar a intervenção federal no Rio.

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