Nova fase da Lava Jato investiga corrupção no Paraná

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 48ª fase da Operação Lava Jato, a primeira de 2018. Batizada de Operação Integração, a ação apura corrupção na concessão de rodovias federais no estado do Paraná que fazem parte da estrutura batizada de “Anel da Integração”, geridas pelo consórcio Econorte, do grupo Trunfo.

São cumpridos sete mandados de prisão e outros cinquenta de busca e apreensão nos estados de Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com a investigação da PF, os alvos da operação desta quinta utilizaram esquemas de lavagem de dinheiro descobertos em outras fases da Lava Jato, executados pelos operadores financeiros Adir Assad e Rodrigo Tacla Durán, para pagar benefícios ilícitos a agentes públicos.

Os pagamentos foram repassados a funcionários que atuam no Governo do Paraná e em outros dois órgãos, no Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) e Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). Os investigados serão autuados pelos crimes de corrupção, fraude a licitação e lavagem de dinheiro.

Por volta das 6h da manhã, a PF cumpriu um mandado de busca dentro do Palácio do Iguaçu, sede da gestão do governador Beto Richa (PSDB). As buscas foram feitas no gabinete do jornalista Carlos Nasser, que atua na agenda de Richa dentro da Casa Civil. A Polícia Federal não informou quais as acusações que pesam contra o servidor.

As investigações começaram no Ministério Público Federal (MPF) de Jacarezinho (PR), sendo repassadas posteriormente para a força-tarefa da Lava Jato em virtude da conexão com os fatos apurados pela operação. Segundo o MPF, foi possível explicar a origem de parte dos pagamentos feitos e intermediados por Assad e Duran.

Os procuradores identificaram superfaturamento nas obras e sobrepreço na tarifa cobrada dos usuários que transitam pelo Anel da Integração. Seguindo a tabela Sinapi, da Caixa Econômica Federal, em alguns itens das obras, o sobrepreço teria chegado a 89% do custo da cobra. “Essa ‘gordura’ era usada para pagamentos indevidos”, afirmam o MPF.

Da mesma forma, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendava à concessionária que reduzisse as tarifas em 18%, a Econorte decidiu aumentá-las em 25%. O reajuste foi autorizado pelo DER-PR, que justificava a necessidade de permitir o “reequilíbrio financeiro” do contrato com a empresa.

Segundo a Procuradoria, “em uma mensagem de e-mail obtida a partir de quebra de sigilo telemática judicialmente autorizada, um dos servidores envolvidos no esquema criminoso recebeu um quadro comparativo que demonstra que a tarifa cobrada pela Econorte no Paraná chega a ser mais de quatro vezes maior do que a tarifa cobrada por outra concessionária do grupo Triunfo no Estado de Goiás”.


Procurada por VEJA, a concessionária Econorte afirmou que se posicionará ainda nesta quinta-feira. O Governo do Paraná disse que aguarda o posicionamento oficial da Polícia Federal para entender as circunstâncias das acusações contra Carlos Nasser.

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