Procurador diz que delação de Joesley sobre contas de Lula e Dilma no exterior são "incomprováveis"

O empresário Joesley Batista declarou, em acordo de delação premiada, que os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) receberam cerca de U$ 150 milhões em propinas através de contas mantidas fora do Brasil. A informação, no entanto, é considerada “incomprovável” na avaliação do procurador federal Ivan Cláudio Marx, responsável pelas investigações acerca dos relatos do dono da JBS.


De acordo com o portal UOL, Marx afirma ter pedido documentos que pudessem comprovar a existência de tais contas bancárias no exterior e a movimentação da propina. “Não veio nada”, disse o procurador federal.

Na avaliação de Ivan Cláudio Marx, três informações que constam na delação de Joesley Batista podem ser de difícil comprovação. "Ele diz que as contas teriam recursos em favor dos ex-presidentes, mas as contas estavam em nome do próprio Joesley. Era ele quem operava as contas”, analisa.

Contradições sobre a notoriedade das contas por parte dos ex-presidentes também ajudam a dificultar a comprobabilidade da informação. "Primeiro, ele disse que o Guido Mantega havia falado que os dois [Lula e Dilma] sabiam das contas e viam os extratos. Depois, ele disse que teve conversas tanto com Lula quanto com Dilma sobre essas contas. Mas, até agora, só temos a palavra dele”, declarou o procurador.

A relação entre o dinheiro que o dono da JBS depositava em tais contas bancárias fora do Brasil e as doações que a empresa fez nas eleições também é alvo de dúvidas por parte do procurador federal. "O dinheiro saía do Brasil e ia para essas contas no exterior, mas não voltava ao país para fazer as doações. Segundo ele mesmo, o dinheiro das doações não saía dessa conta”, disse Marx.

Delação

Joesley Batista, dono da J&F (que controla a JBS), revelou em delação que destinou entre 140 a 160 milhões de dólares, oriundos de propina, aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2014.


“Eu acho que a (conta) da época do Lula parou em US$ 70 milhões e da época da Dilma parou em US$ 80 milhões”, revelou o empresário. Questionado por um agente sobre como funcionou o uso dos valores, Batista disse que “Foi tudo usado na campanha. Teve duas pequenas movimentações que o Guido (Mantega) me pediu: 5 milhões [não especificou a moeda] para eu investir em uma empresa.  “Ele (Guido) pediu para eu abrir uma outra conta. Foi aí que eu desconfiei que o dinheiro não era dele. Eu também não sabia se ele estava falando para me induzir a achar que o dinheiro não era dele… Não sei”.

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