Maduro pede reunião a Trump e lança lei para punir rivais por protestos

O líder venezuelano, Nicolás Maduro, pediu nesta quinta (10) ao presidente dos EUA, Donald Trump, uma conversa sobre a situação do país, embora o acuse de promover a violência nos protestos para derrubá-lo.

O aceno é feito 11 dias após o chavista, que chama o republicano de imperador, receber sanções econômicas por manter a eleição da Assembleia Constituinte. Outros 30 aliados do regime foram punidos pelo Departamento do Tesouro.

Em discurso aos constituintes, Maduro ordenou ao chanceler, Jorge Arreaza, que faça contato com Washington para que os mandatários possam conversar por telefone ou na Assembleia-Geral da ONU, em setembro.

"Se está tão interessado na Venezuela, estou aqui 'mister Trump', aqui está minha mão", disse, para na sequência chamá-lo de imperador e fazer uma ameaça. "Jamais vamos nos render e responderemos a uma agressão com armas na mão."Aos países latinos que não reconhecem a Constituinte, como Argentina, Brasil e Colômbia, fez um convite para uma cúpula de chefes de Estado e governo da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

As declarações ocorreram após o líder se subordinar ao poder supremo da Constituinte, embora ele mesmo a tenha convocado e que os 545 membros sejam seus aliados. Também mencionou as eleições regionais, previstas para 10 de dezembro.

Além de anunciar candidatos aliados, Maduro ironizou a decisão da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) de participar da votação após os mais de quatro meses de manifestações contra seu regime.

"Para que serviram esses 120 dias de violência, mais de cem mortos, nadaram tanto para morrer na praia? Para morrer no CNE [Conselho Nacional Eleitoral]? Tanta destruição para quê, conseguiram alguma coisa?".

Também comemorou a destituição da procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz. "Nos apunhalou pelas costas e ativou o governo imperialista dos EUA e a direita fascista. Achava que ficaria impune, mas chegou a Constituinte".

LEI CONTRA ÓDIO

No discurso, Maduro entregou à Constituinte um projeto que pune com até 25 anos de prisão quem convocar "ações violentas e que provoquem caos e aflição", termos usados por ele para se referir aos protestos contra si.

Ele chamou os aliados a castigar "com leis muito severas" delitos de ódio e intolerância para buscar "o reencontro, a reunificação, a harmonia e a paz" que ele atribui à instalação da Casa para trocar a Constituição.

"A justiça tem que vir agora. Não importa nome, sobrenome ou cargo. Cadeia para quem chamou à violência e à morte", disse, em referência aos políticos opositores a quem atribui a violência nas manifestações.

Como exemplos de ações puníveis pela lei, citou o escracho a uma reitora eleitoral chavista em um supermercado de Caracas e a queima de um homem por manifestantes mascarados em um protesto opositor em junho.

Além do projeto, a ser votado na semana que vem, enviou à Comissão da Verdade duas cartas em que o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, pede aos bancos que não comprem títulos da dívida pública venezuelana.

Maduro as encara como provas de que os rivais quiseram sabotar a economia. "O que a Assembleia burguesa fez foi sabotar, negar, obstruir, danificar e ameaçar, nacional e internacionalmente. Temos que fazer justiça".


O líder disse que a oposição dialogará "por bem ou por mal" e os acusou de abandonar a negociação mediada pelo Vaticano e a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) quando, na verdade, ele foi o primeiro a fazê-lo.

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