Suspeito de matar enteado que tentou defender mãe durante briga é preso em Manaus

O técnico de informática Michel Souza de Assis, de 30 anos, suspeito de matar o enteado adolescente, de 16 anos, foi preso pela Polícia Civil do Amazonas. O suspeito estava foragido e foi encontrado na casa de um primo, que seria o principal pistoleiro de uma facção criminosa que atua no estado. David Santos de Oliveira foi assassinado ao tentar defender a mãe e foi esfaqueado em março deste ano. O padrasto diz que esfaqueou jovem para se defender. A polícia contesta a versão.

A justiça expediu mandado de prisão preventiva contra o padrasto ainda em março, e as equipes de investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) iniciaram as diligências em busca do suspeito, que estava foragido.

O delegado titular da DEHS, Juan Valério, contou que o Assis fugiu para outro estado depois do crime, mas retornou para o Amazonas. Levantamento do setor inteligência da polícia indicou que ele estava mantendo contato com a família e conseguiu identificar onde o técnico de informática estava escondido.

Michel Assis foi localizado e preso na sexta-feira (30). Ele estava na casa de familiares em uma área de difícil acesso na Comunidade Vivenda Verde, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus. No local, a polícia encontrou, ainda, uma motocicleta roubada e há suspeita de que o imóvel fosse usado para desmanche de veículos.

“Começamos as incursões pela madrugada tanto por lancha como por terra e conseguimos prendê-lo. Ele tentou fugir por uma janela do banheiro. Suspeitamos que o local era usado para abrigar foragidos e para outras situações ilícitas, que estamos investigando”, informou o delegado.

De acordo com a polícia, o técnico de informática é primo de Deivid de Souza Pantoja, 36 anos, conhecido como “Mano D”, apontado como principal pistoleiro de uma facção criminosa que atua no estado e autor de, pelo menos, 30 homicídios na capital. “Mano D” foi preso pelas equipes do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), no dia 1º de setembro de 2016.

Segundo a DEHS, Michel Assis não tinha passagens pela polícia, mas foi apontado por denúncias anônimas como envolvido em um homicídio em Tabatinga, situado a 1.105 km de Manaus.

O técnico de informática foi indiciado homicídio qualificado e tentativa de homicídio da ex. Antes de ser levado para o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), Assis disse que esfaqueou o enteado para se defender.

"Eu cheguei do trabalho e a mãe dele começou a ler minhas mensagens do Whatsapp no celular. Ela estava com ciúmes e, pela primeira vez, brigamos. O filho dela entrou no quarto me deu socos e tentou me furar. Se eu não tivesse furado, ele ia me furar. Eu nunca tentei matar a mãe dele. Eu me dava super bem com ele. Não tinha nada contra ele. Me arrependo, estragou minha vida", afirmou Michel Souza.

A polícia contesta a versão do suspeito de que agiu para se defender. “Foi um crime bárbaro. O Michel queria matar sua ex-companheira porque não aceitava o término do relacionamento e disse que antes de sair de casa iria matá-la. Então, ele pegou uma faca na cozinha e tentou contra vida dela. O jovem foi em socorro de sua mãe e tentou mobilizar o Michel, que se virou e desferiu um golpe mortal”, disse o delegado Juan Valério.

Crime

David Santos de Oliveira morreu após ser esfaqueado dentro de casa na noite do dia 10 de março deste ano, em Manaus. O local do crime fica situado na comunidade Nova Floresta, no bairro Tancredo Neves, na Zona Leste.

Familiares afirmam que o adolescente tentou defender a mãe e a irmã, quando foi esfaqueado com uma faca nas costas que atingiu o coração da vítima.

De acordo com informações repassadas pela mãe do estudante, que não quis ser identificada, ela e o marido estavam separados. Ele teria invadido a residência e tentado a esfaquear.

"Ele veio para cima de mim e da minha filha de 5 anos com uma faca. Eu tentei me proteger com o travesseiro e pedia para ele não fazer isso. Ele não parou. Aí, o meu filho veio por trás dele, tentou dar um [golpe] 'mata leão', para ele [padrasto] parar. Foi quando ele atingiu o meu filho", disse a mãe.

A mulher disse ainda que fazia um dia que ela tinha encerrado o relacionamento que já durava seis meses. "Ele não aceitava a separação, sempre foi muito frio e não estava mais dando certo", afirma.

O suspeito fugiu com a arma do crime logo após o crime. O estudante ainda foi socorrido e levado ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Platão Araújo, mas não sobreviveu aos ferimentos e morreu 23h30 da sexta-feira (10).


"Eu quero justiça. Quero que peguem o assassino do meu menino. Esse homem não pode ficar solto", disse mãe.

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