Israel volta a restringir acesso à Esplanada das Mesquitas

A polícia israelense voltou a proibir o acesso de homens com menos de 50 anos para as orações desta sexta-feira (28) na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém.

A medida foi anunciada um dia depois de confrontos entre manifestantes palestinos e a polícia israelense no local, que deixou cerca de 100 feridos. Israel já havia fechado a Esplanada das Mesquitas para os menos com menos de 50 anos na última sexta-feira (21), provocando uma onda de revolta e nove mortos no último fim de semana.

Terceiro local mais sagrado do Islã, em Jerusalém Oriental, a Esplanada foi fechada em 14 de julho após a morte de dois policiais israelenses em um ataque. Israel decretou polêmicas medidas de segurança, incluindo a instalação de detectores de metais, o que provocou o boicote dos fiéis muçulmanos.

Após a anulação das medidas, as autoridades políticas e religiosas palestinas pediram, na quinta-feira (27), que os fiéis voltassem a frequentar a mesquita Al-Aqsa, na Esplanada. Pouco depois da entrada de milhares de muçulmanos para a oração da tarde, as forças de segurança israelenses entraram em confronto com os manifestantes palestinos na Esplanada. Os incidentes deixaram cerca de 100 feridos na Esplanada e em suas imediações.

"Indícios" de distúrbios e manifestações

"Foi realizada uma avaliação de segurança, e há indícios de que hoje haverá distúrbios e manifestações", destacou a polícia israelense em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (28). Por isso, segundo a nota, apenas homens com mais de 50 anos e mulheres, de qualquer idade, serão autorizados.

"Todas as medidas de segurança necessárias foram adotadas para prevenir e responder a qualquer ato de violência", assinalou a polícia.

Fracasso de Netanyahu

Após pressão da comunidade internacional, que temia uma escalada de violências, Israel retirou os detectores de metais na terça-feira (25) e, na quinta (27), os últimos elementos do novo dispositivo de segurança. A decisão foi percebida pela imprensa israelense como um fracasso para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que se viu forçado a voltar atrás por medo de que a espiral de violência se tornasse incontrolável.

Cinco palestinos morreram desde o início da crise nos confrontos com as forças de segurança israelenses. Na quinta-feira, o ministro palestino da Saúde informou a morte de uma sexta vítima, ferida na segunda-feira (24).

Além disso, três colonos israelenses morreram esfaqueados por um palestino na última sexta-feira (21), na Cisjordânia. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu na quinta-feira sentença de morte para o autor do ataque.


O governo israelense justificou as medidas de segurança, afirmando que havia armas escondidas na Esplanada das Mesquitas. Já os palestinos encararam a decisão de Israel como uma tentativa de reforçar seu controle sobre o local. Tel Aviv controla o acesso à Esplanada, embora a gestão do local esteja nas mãos da Jordânia.

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