Ciência perde R$ 500 mil por hora no Brasil com cortes orçamentários

Meio milhão de reais por hora. Esse é o valor que a ciência brasileira está deixando de receber por conta dos cortes orçamentários aplicados ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e às universidades federais neste ano.

O cálculo é do economista Carlos Frederico Leão Rocha, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mentor matemático do “Tesourômetro”, um contador público de quanto a Ciência e o Ensino Superior no Brasil estão deixando de receber em razão dos cortes federais — comparado ao que estava previsto na Lei Orçamentária Anual. Segundo ele, esse prejuízo é de R$ 8 mil por minuto; R$ 480 mil por hora; ou R$ 11,5 milhões por dia, aproximadamente. O déficit acumulado só neste ano deve chegar a R$ 4,3 bilhões.

Um painel eletrônico mostrando a contabilidade desse prejuízo em tempo real foi inaugurado hoje de manhã no campus da UFRJ na Praia Vermelha, zona sul do Rio, para marcar o lançamento da campanha Conhecimento Sem Cortes, um movimento contra a redução dos investimentos em ciência e o “desmonte” das universidades e institutos de pesquisa federais — onde grande parte da ciência brasileira é produzida; sem falar na formação de recursos humanos (pesquisadores, professores, engenheiros, etc).
O Tesourômetro também pode ser visto neste site: conhecimentosemcortes.com.br. Ele mostra o valor acumulado dos cortes desde janeiro de 2015, quando o orçamento desses setores começou a encolher de forma significativa. No momento da inauguração, o tamanho da facada já passava de R$ 11 bilhões.

“Isso é o quanto nós perdemos em relação ao desembolso que estava originalmente previsto”, explicou Leão Rocha, em entrevista ao Estado. O cálculo leva em conta apenas verbas de custeio e investimento, não incluindo salários. Só o orçamento do MCTIC, que já era baixo, sofreu corte de 44% este ano, retrocedendo o poder de compra da pasta em pelo menos uma década.


Um evento público de lançamento da campanha está previsto para hoje à noite, na Casa da Ciência, com a participação de várias lideranças científicas, que vão apresentar casos reais de impacto da crise orçamentária em suas instituições. A lista de participantes inclui Tatiana Roque, presidente da Associação dos Docente da UFRJ (ADUFRJ-SSind); Helena Nader, presidente da SBPC; Roberto Leher, reitor da UFRJ; Nisia Trindade, presidente da Fiocruz; e Jerson Lima Silva, diretor da Faperj.

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