João Santana diz que campanhas eleitorais rivais tinham acordo sobre valores para driblar o TSE

Campanhas eleitorais de coligações concorrentes combinavam declarações de valores como forma de enganar o Tribunal Superior Eleitoral. A informação consta no depoimento do ex-marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Santana, concedido em acordo de delação premiada junto à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com Santana, a prática era “generalizada” e uma forma de manter o caixa dois nas campanhas sem que membros do TSE percebessem qualquer irregularidade nas contas. “Quando se declara um preço, ele não pode se afastar tanto desse preço, para não ter disparidade, desconfiança”, declarou.

“Existe um acordo informal entre as campanhas. Mesmo campanhas que vão se digladiar, arrancar sangue. Os coordenadores financeiros conversam entre si. ‘Olha, o meu preço vai ser esse’. E o outro chega perto ou passa.”, completou o marqueteiro. Segundo Santana, tal prática ocorria em campanhas presidenciais e nas disputas por governos estaduais e municipais.
João Santana e sua esposa, Mônica Moura, firmaram acordo de delação premiada com a Justiça e o teor dos depoimentos teve seu sigilo retirado pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, na quinta-feira (11). O casal foi responsável pelo marketing das campanhas eleitorais da chapa encabeçada pela ex-presidente da República Dilma Rousseff em 2010 e 2014.


Em abril, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, ambos afirmaram terem sido pagos pelos serviços por meio de caixa dois. O dinheiro teve como origem a Odebrecht. O casal disse ter recebido ao menos R$ 15 milhões entre 2010 e 2011 como pagamentos não registrados para a campanha do PT ao Planalto.

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