Hillary Clinton culpa ciberataques russos e diretor do FBI por sua derrota

Clinton comentou o resultado eleitoral e os primeiros três meses de Trump durante uma conferência sobre a igualdade das mulheres e meninas em todo o mundo, mas acabou vinculando quase todas as suas respostas à vitória do republicano. A ex-secretária de Estado mostrou sua versão mais agressiva e contundente, frente ao rosto mais comedido e didático da campanha. Fez piadas e gestos ao público. E anunciou que escreve um livro (“não diria que é terapia, mas serve de catarse”), em que dará sua versão completa do que ocorreu antes de 8 de novembro de 2016. “Eu estava a caminho da vitória, até que a combinação da carta de [James] Comey e o WikiLeaks despertaram dúvidas entre alguns dos meus eleitores, que se assustaram”, disse a democrata. Ela se referia ao comunicado do diretor do FBI, 11 dias antes da eleição, afirmando ter encontrado mensagens novas que podiam ser relevantes para a investigação da candidata. Aquilo foi interpretado como “a surpresa de outubro”, que poderia eliminar suas opções de vitória.

A ex-secretária de Estado falou duramente sobre a “interferência” do Kremlin na eleição através de vários ciberataques contra a sede democrata e do roubo dos e-mails de seu diretor de campanha (“Já advertimos que as eleições haviam sido manipuladas”). Também mencionou sua relação com Putin. “Em 2012, os russos saíram às ruas e protestaram em várias cidades. Ele disse que eu tinha enviado os manifestantes. Basicamente, tudo piorou desde aquele momento”, afirmou.

Clinton lançou mão da experiência à frente da diplomacia norte-americana entre 2009 e 2013 para criticar alguns dos últimos passos de Trump. Ela reconheceu que apoia o ataque contra uma base aérea síria em resposta ao uso de armas químicas por parte do regime, mas disse que “não solucionou nada”. “Devemos prestar atenção aos acordos ocultos feitos com os russos. Há muitas coisas que ainda não sabemos”, denunciou.

Sobre a Coreia do Norte, Hillary reconheceu que “é um desses problemas envenenados” com os quais os presidentes têm de lidar, mas criticou Trump por ignorar o fato de que Pyongyang pode se beneficiar da vontade dos EUA de negociar. “Isso melhora a posição deles”, afirmou. “As negociações são críticas, mas devem fazer parte de uma estratégia mais ampla, não de um tuíte que você escreve numa manhã qualquer. Isso não funciona.” A democrata ganhou aplausos ao dizer que Trump deveria “se preocupar menos com as eleições e com minha vitória no voto popular, ocupando-se mais de outras coisas”.

A veterana política também falou sobre o âmbito nacional. Alertou que os EUA correm o risco de retroceder no campo dos direitos das mulheres. “Avançamos, mas não o suficiente”, disse. Quando a jornalista Christiane Amanpour lhe perguntou se considerava que a misoginia havia sido um fator contra ela nas eleições, Clinton a interrompeu com um meio sorriso: “Você acha?” Depois garantiu que sua vitória teria sido “muito importante”.

Ao longo da conversa, a ex-secretária de Estado assumiu a responsabilidade pelos erros de campanha e reconheceu que um dos seus pontos fracos foi a falta de conexão emocional com o eleitorado. Nunca conseguiu eletrizar os votantes como seu oponente. Disse que sua mensagem e suas propostas “não geravam tanto entusiasmo quanto destruir tudo e começar de novo”, em referência ao que Trump sugeria.

E então Hillary atacou de novo. “Agora acredito que exatamente isso está trazendo problemas para ele, pois não consegue cumprir o que prometeu”, acrescentou sobre a falta de realizações contundentes de Trump. Com respeito às declarações do mandatário sobre a complexidade do sistema de saúde, ela disse que “o sistema é realmente complicado”. E refletiu sobre as dificuldades de quem governa um país: “Se é fácil, o assunto não chega à mesa do presidente.”


A democrata retoma aos poucos suas aparições públicas, com eventos voltados aos direitos das mulheres e meninas. “Não estamos falando de um luxo do qual devemos nos ocupar quando tenhamos resolvido todo o resto”, argumentou. “É uma questão de segurança nacional.” E assim, recuperando um dos temas que mereceram grande parte da sua atenção ao longo da carreira, confirmou o lugar que ocupará a partir de agora: “Sou uma cidadã ativista. Faço parte da resistência.”

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