"Temos a República Federativa da Corrupção", diz procurador da Lava Jato

O procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, veterano investigador da Operação Lava Jato, avalia que “nada mais errado” é dizer que a Odebrecht é a única empresa que comprava o poder político. “Nem mesmo o setor de empreiteiras é o único, essa prática se espalha por todo espectro empresarial. Marcelo Odebrecht (ex-presidente do Grupo) saía por uma porta de um gabinete do poder, por outra entrava outro empresário.”

Em meio à polêmica que envolve conceitos de caixa 2 e pagamento de propinas, o procurador recomenda: “Temos que ter muito cuidado com os termos para não nos deixarmos enganar pelas mentiras. Temos o crime de caixa 2 eleitoral, que é a simples doação para fins eleitorais sem que haja um toma-la-dá-cá, um ato de corrupção. E temos propina, pagamento por um favor ou um benefício criminoso, que pode ser pago por doações oficiais ou por doações não contabilizadas, o que é o crime de corrupção.”

O procurador destaca que empresários chamam também de caixa 2 os valores que mantêm à margem da contabilidade da empresa. “Há muitos espertos que manipulam esses termos para enganar a população.”


Carlos Lima busca na história recente dos escândalos que abalaram o País um capítulo da corrupção e fraudes financeiras que ele próprio enfrentou, na década de 1990, ao lado de colegas de sua Instituição – o caso Banestado. Ao comentar os US$ 3,3 bilhões de propinas que a Odebrecht movimentou em nove anos no País, o procurador considera que no caso da empreiteira, ‘depois do desmonte do sistema de doleiros, houve a mudança do esquema para o exterior, protegido por camadas de offshores’.

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