O começo fulminante determinou o alívio e a vitória do Flamengo contra o Furacão

O Maracanã se vestiu de Libertadores mais uma vez. As arquibancadas receberam mais de 58 mil torcedores para o segundo jogo do Flamengo na fase de grupos. Agora, contra um inimigo bastante íntimo: recebendo o Atlético Paranaense, no primeiro duelo brasileiro da atual edição da competição continental. Porém, a massa rubro-negra experimentou sensações inversas em relação à goleada contra o San Lorenzo. Se naquela noite a tensão do início foi suplantada pela explosão no segundo tempo, desta vez a angústia suprimiu a empolgação inicial. O Fla começou de maneira arrasadora contra o Furacão. Fez um primeiro tempo praticamente perfeito. No entanto, entrou no jogo dos visitantes na segunda etapa. E, pressionado, assegurou a vitória por 2 a 1, sua segunda no torneio.


Uma casualidade, de certa forma, beneficiou o Flamengo. Mancuello se sentiu mal e deixou uma lacuna no 11 inicial. Então, Zé Ricardo preferiu escalar Trauco mais à frente, como o lateral já fez em outros momentos da carreira. Deu muito certo. Que o Atlético Paranaense tenha ameaçado primeiro, os cariocas logo passariam a dominar. Aos três minutos, o peruano apareceu na área, em cabeçada prensada no meio do caminho. Já aos seis, em jogada de seleção, ajudou a abrir o placar. Trauco fez um lançamento excelente do meio de campo. Encontrou Guerrero partindo em velocidade, mesmo cercado por Thiago Heleno e Paulo André. O centroavante foi capaz de um domínio inteligente, com a sola, driblando o camisa 4. Weverton conseguiu salvar no primeiro momento, mas o centroavante aproveitou a sobra e cabeceou para as redes.

Guerrero fez uma boa partida. Movimentou-se bastante e brigou pelas bolas como pivô, nas ligações diretas do Flamengo. Mas, pouco depois, apareceria o outro protagonista do time na noite: Diego. Mais uma vez, o camisa 10 orquestrou as ações de sua equipe. Ditou o ritmo, cadenciou, acelerou. E marcou um golaço aos 15 minutos, em momento essencial para garantir a tranquilidade do Fla. Aproveitando a fragilidade do Atlético pelo lado esquerdo de sua defesa, o time da casa forçou a jogada por ali. O cruzamento de William Arão desviou, mas sobrou limpo para Diego. Pegou um chute de chapa, em direção ao ângulo, sem qualquer chance de defesa para Weverton. Os rubro-negros cresciam com a sua torcida.

O Atlético Paranaense até tentava sair mais para o jogo, se posicionar avançadamente. Contudo, sentia falta de um jogador criativo como Felipe Gedoz, suspenso. O Flamengo se empenhava bastante na marcação para quebrar a linha de passe, fechando os espaços em sua defesa. Quando o Furacão assustava, era principalmente em bolas aéreas. Ainda assim, fazia muito pouco, sem a mesma objetividade e verticalidade do Flamengo. Sofria com a dedicação dos adversários sem a bola. Os cariocas poderiam ter anotado o terceiro antes do intervalo. Em bola ajeitada por Guerrero, Diego soltou a bomba de fora da área e acertou a trave, na forquilha. Pouco depois, o próprio peruano assustou. O time de Zé Ricardo impressionava por seu ímpeto. Márcio Araújo, inclusive, era um dos destaques.

O intervalo veio e o tabuleiro virou no Maracanã. O Atlético seguia com mais posse de bola, mas conseguiu ser mais produtivo. A inversão dos pontas ajudou, assim como a entrada de Grafite. O Flamengo teve sua chance de fazer o terceiro logo aos 12 minutos, em cobrança de escanteio que Rever não arrematou. Pouco depois, viu a diferença diminuir. Renê perdeu a bola na esquerda e Jonathan fez grande jogada. Após o cruzamento de Douglas Coutinho, Nikão (ligeiramente impedido) apareceu livre para completar. Méritos do meia, um dos melhores em campo por sua equipe. Deixa para o drama na noite do Rio de Janeiro.

O Flamengo sentiu outro baque pouco depois, quando Diego chocou o joelho e deixou o campo com dores, substituído por Matheus Sávio. Sem o seu principal homem para pensar e organizar o jogo, o time da casa confiava no contra-ataque. Todavia, ficava sob ameaça quando o Atlético tinha a bola, mesmo que as oportunidades claras não aparecessem. O lado direito dos paranaenses era a principal válvula de escape, especialmente por Jonathan.

Aos 26 minutos, o Flamengo ganhou novo gás. Gabriel fez bom jogo taticamente, mas, exausto, deu seu lugar a Marcelo Cirino. O ponta entrou com vontade, partindo em velocidade e incomodando Sidcley. O Furacão tinha mais a bola e seguia insistindo nos cruzamentos. De qualquer maneira, os cariocas voltaram a levar perigo em suas triangulações em velocidade. Weverton mantinha a segurança dos visitantes. A atmosfera tensa pairou de vez no Maraca a partir dos 35 minutos. O time de Zé Ricardo tentava gastar o tempo. O de Paulo Autuori, achar uma brecha. As redes até voltaram a balançar nos acréscimos, com Nikão completando livre para as redes. Estava impedido, para alívio da multidão nas arquibancadas. O apito final soou como o fim de um martírio para os flamenguistas. Uma libertação.


A vitória tira um peso das costas do Flamengo, após a derrota fora de casa para a Universidad Católica na rodada anterior. O time lidera o Grupo 4, com seis pontos, e vai à Arena da Baixada enfrentar outra pedreira sem tanta cobrança. Já o Atlético, com quatro pontos, precisa vencer os cariocas no reencontro se quiser voltar à zona de classificação. Mais cedo, a Católica empatou com o San Lorenzo por 1 a 1 e chegou aos cinco pontos. Disputa acirrada, que reflete bem um dos grupos mais difíceis da Libertadores. A tensão desta quarta não deve ser exclusividade só do Maracanã. O gigante de concreto, ao menos, tem auxiliado a empurrar os flamenguistas em seu sonho de fazer América. Desta vez, o Furacão não conseguiu calar a multidão.

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